A pergunta que todo paciente faz antes do procedimento — respondida com honestidade e dados reais por quem realiza mais de 3.000 procedimentos em Salvador.
Dr. Leandro Vladimir · CRM/BA 30.838 · RQE 22.168 · RQE 24.953
É uma das perguntas mais frequentes no consultório antes do procedimento: "Doutor, cateterismo pode matar?"
A resposta honesta: sim, qualquer procedimento invasivo carrega algum risco. Mas o que os números mostram é muito diferente do que a maioria dos pacientes imagina — e, na maioria dos casos, o risco da doença não tratada é muito maior do que o risco do procedimento.
Para colocar em perspectiva: a doença coronariana não tratada tem uma mortalidade anual que pode ultrapassar 5% em pacientes de alto risco. O procedimento que investiga e trata essa doença tem um risco que é dezenas de vezes menor.
Além da mortalidade, outros riscos existem e precisam ser conhecidos:
Alguns fatores tornam o procedimento mais delicado e elevam a probabilidade de complicações:
Porque a doença que o cateterismo investiga ou trata representa um risco muito maior.
Um paciente com angina grave não tratada, ou com infarto em evolução, tem probabilidade muito mais alta de morrer ou ter sequelas permanentes sem o procedimento do que com ele.
A lógica da medicina intervencionista é sempre uma equação: risco do procedimento vs. risco da doença não tratada. Na grande maioria dos casos indicados corretamente, a balança pende fortemente a favor de intervir.
Você tem o direito de entender o que vai acontecer. Leve estas perguntas para a consulta:
Sim. O cateterismo realizado durante um infarto agudo (emergência) tem risco maior do que o procedimento eletivo programado — porque o próprio infarto já compromete a estabilidade do paciente. Ainda assim, o benefício de abrir a artéria rapidamente supera amplamente o risco do procedimento nesses casos.
Não. O procedimento é realizado sob sedação leve e anestesia local no local da punção (geralmente no punho). A maioria dos pacientes relata apenas uma sensação leve de pressão, sem dor significativa durante o exame.
No cateterismo diagnóstico eletivo pela via radial, a maioria dos pacientes recebe alta no mesmo dia, após algumas horas de observação. Quando é realizada angioplastia com stent na mesma sessão, a internação costuma ser de 24 a 48 horas.
Pode, com cuidados especiais. O contraste utilizado pode afetar a função renal, por isso pacientes com insuficiência renal prévia precisam de hidratação adequada antes e depois do exame, e o volume de contraste é minimizado. Em casos selecionados, existem técnicas que permitem realizar o cateterismo com quantidade mínima de contraste.
Sim. A angiotomografia coronária (angioTC) é um exame não invasivo que pode avaliar as coronárias em determinados contextos clínicos. Porém, ela tem limitações — especialmente em pacientes com calcificação coronariana importante ou frequência cardíaca elevada. O cateterismo permanece o padrão-ouro para diagnóstico e é o único que permite tratamento imediato se uma obstrução for encontrada.
Se você foi indicado para cateterismo e ainda tem dúvidas ou medo, agende uma consulta. Explico o seu caso específico, os riscos individuais e o que esperar — sem pressa.